Conceitos básicos: Obturador

Nestes primeiros contatos com os visitantes do blog tenho sentido que entre os iniciantes existe uma certa carência no que se refere aos conceitos básicos da fotografia. A maioria sabe o resultado que deseja obter, mas não sabe o que precisa fazer para chegar lá, procuram por dicas nos sites e fóruns de fotografia, mas nem sempre estão familiarizados com os termos técnicos para poder colocá-las em prática. Se alguém lhe diz: para fazer uma foto assim ou assada, tente uma abertura maior ou experimente uma exposição mais longa, você sabe o que isto significa ou o que fazer?

Ninguém precisa ser um expert em todos os termos técnicos, conceitos e mecanismos de funcionamento das câmeras e do processo de captura de imagens para brincar de fotografar, mas conhecer os princípios básicos pode ajudar muito na hora de escolher o que fazer e quais configurações alterar para conseguir os resultados desejados.

Pensando nisso decidi escrever alguns artigos abordando estes conceitos, artigos que tendem a ser mais teóricos, mas que eu, particularmente, acho importante conhecer e que vão ajudar os leitores a aproveitar melhor as dicas que forem publicadas aqui no blog. Para não deixar a sequência de artigos muito maçante, vou procurar alternar conceitos teóricos com dicas e exemplos.

Então vamos começar falando pouquinho sobre obturador?

O que é?

Inner face of Copal shutter (by Kiloran)

Foto: Kiloran @ Flickr

O obturador é um dispositivo mecânico que controla o “abre e fecha” da cortina que protege o filme, ou sensor digital, da luz. Quando acionamos o disparador (o botão que pressionamos para tirar a foto) o obturador se abre permitindo a passagem da luz e, consequentemente, que ela seja captada, formando a imagem. Ele está diretamente relacionado com o tempo em que a luz vai incidir por esta passagem: quando mais tempo aberto, mais luz alcançará o filme ou o sensor.

Este controle de tempo é uma das variáveis mais importantes no processo de captura de uma imagem e é aquilo que chamamos tempo de exposição ou velocidade do obturador. Em palavras simples: tempo de exposição, como o próprio nome já diz, é a quantidade de tempo em que o filme ou o sensor da câmera digital fica exposto à luz.

Este parâmetro normalmente é dado em frações de segundo ou segundos, valores mais comuns para este tempo vão de 1/8000s a 1s em uma escala aproximada de 1/2:

Exemplo de escala de velocidade do obturador

Exemplo de escala de velocidade do obturador

Em câmeras totalmente automáticas (ou quando usadas no modo automático) os valores são definidos pela própria câmera, no momento em que apertamos o disparador, com base na avaliação que ela faz da luz no ambiente naquele momento. Neste caso nós não temos um controle direto sobre o tempo do obturador.

Já em câmeras que possuem o controle manual nós podemos pré-definir, antes de bater a foto, qual será o tempo da exposição. Dependendo do modelo temos ainda a opção de usar o modo bulb, onde o obturador se mantém aberto enquanto o botão disparador estiver pressionado, ou o modo T, onde o obturador se abre quando pressionamos o botão e só volta a se fechar quando for pressionado novamente.

A escolha do tempo de exposição vai ter influência direta no resultado final de uma foto. Um tempo de exposição mais curto ou mais longo vai definir, por exemplo, se o movimento em uma foto ficará “congelado” ou “riscado”. Claro, existem outras variáveis envolvidas, tais como luz do ambiente, abertura do diafragma, sensibilidade ISO… mas um passo de cada vez, trataremos de cada uma delas em artigos futuros.

Efeitos da variação no tempo de exposição

Então vamos deixar de blá-blá-blá e ver alguns exemplos?

Tempo de exposição: 2s (by Aprendendo Fotografia) Tempo de exposição: 10s (by Aprendendo Fotografia) Tempo de exposição: 20s (by Aprendendo Fotografia) Tempo de exposição: 30s (by Aprendendo Fotografia) Tempo de exposição: 60s (by Aprendendo Fotografia)

Da esquerda para a direita, tempo de exposição foi regulado para: 2s, 10s, 20s, 30s e 60s.

Fotos: Luma Kimura @ Flickr

A sequência acima foi feita às pressas, então, por favor, não reparem na baixa qualidade das fotos. O artigo já estava muito atrasado e a loucura dos últimos dias não me permitiu tentar alguma coisa mais caprichada. De qualquer forma a idéia era apenas mostrar a diferença na captação da luz quando usamos diferentes tempos de exposição. Óbvio: quanto maior o tempo de exposição, mais luz é captada e mais clara fica a foto.

Abaixo alguns exemplos clássicos de situações em que o tempo do obturador – mais longo ou mais rápido, faz muita diferença no resultado final:

Para vos... (by Gonzak)

1/4000s

Foto: Gonzak @ Flickr

Um beija-flor, em pleno vôo, com uma velocidade de obturador muito rápida: o movimento das asas fica quase completamente congelado. Segundo a informação Exif desta foto no Flickr, ela foi capturada com 1/4000s.

Bah, Hum'bird! (by Steve took it)

1/125s

Foto: Steve took it @ Flickr

Note a diferença entre a foto anterior e esta foto, tirada com um tempo de 1/250s: o corpo do pequeno pássaro está completamente nítido, mas as asas quase nem aparecem, podemos perceber apenas um vulto bem fraco no lugar delas.

Fragole e latte - Strawberries and milk (by mastrobiggo)

1/1000s

Foto: mastrobiggo @ Flickr

Outro tipo de foto bem legal com exposições rápidas é a captura de esculturas de líquidos. Fazer splashs é uma brincadeira bem divertida e nos permite visualizar formas que o olho humano não consegue captar.

Lumsdale Waterfall 1 (by Tony~M)

2.5s

Foto: Tony~M @ Flickr

Ainda falando em líquidos, mas agora com efeito contrário: exposições longas, de líquidos em movimento, também produzem resultados interessantes. Aqui uma amostra daquele efeitinho conhecido como véu de noiva, muito usado em fotografia de cachoeiras.

Untitled (by parrita)

8s

Foto: parrita @ Flickr

Mais um exemplo clássico do efeito de uma longa exposição: “desenhos” formados pelas luzes em movimento. Esta foto mostra bem as linhas marcadas pelos faróis dos carros durante uma exposição de 8s.

É claro que nem de longe esgotamos o assunto e existem muitos outros fatores envolvidos. Estes são apenas alguns exemplos, partindo daqui o que vale é a criatividade e a experimentação.

Se sua câmera possui controles manuais tire proveito disso, faça algumas fotos usando exposições diferentes e compare os resultados. Tenha em mente que a exposição “única e correta” não existe, o que existe é aquela que vai levar mais perto do resultado desejado para cada foto.

Ainda está se sentindo muito perdido? Não se preocupe, apenas vá brincando, testando, experimentando. Dúvidas? Que tal deixar sua pergunta no campo de comentário ou mandar um e-mail? No próximo artigo sobre conceitos básicos vamos conversar sobre diafragma e profundidade de campo, aos poucos será possível entender como todas essas variáveis trabalham juntas e descobrir a maneira como cada um gosta mais de fotografar. ;)

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